Nutro certo egoísmo por livros. Sempre que estou em uma livraria e vejo uma cópia de algum livro amado fico morrendo de vontade de levá-lo para casa, apenas para impedir que aquela garota de mechas rosas que masca chiclete como um cavalo compre-o e trate-o mal, parta seu coração e derrube esmalte em suas páginas mui delicadas.
Ou o Paizão de shorts e chinelos Rider, cujos olhos examinam cuidadosamente o exemplar ilustrado de O Código da Vinci.
Ou mesmo a japonesinha de óculos e olhar nerd, mas que usava um detestável moletom desbotado e que hesitou por um instante com o dedo indicador sobre a lombada de um livro da Marion Zimmer Bradley.
Eu impediria alegremente o acesso dessas pessoas à cultura.